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A Tirania das Organizações Sem Estrutura

Artigo de Jo Freeman, 1970

Fonte original: https://www.nodo50.org/insurgentes/textos/autonomia/21tirania.htm

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Durante os anos em que o movimento feminista se formava, dava-se grande ênfase ao que se chamava de grupos sem estrutura, sem liderança, como a forma principal do movimento. Essa idéia tinha origem numa reação natural contra a sociedade superestruturada na qual a maioria de nós se encontrava, no controle inevitável que isso dava a outros sobre nossas vidas e no elitismo persistente da esquerda e de grupos similares entre aqueles que supostamente combatiam essa superestruturação.

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Primeiro texto do grupo de estudos sobre o movimento estudantil.

Para conseguir acompanhar a chegada de novos alunos na nossa graduação, e tentar superar a enorme crise e imobilização que toma conta do movimento estudantil, dentro e fora da geografia, nós estamos organizando um grupo de estudos com o foco de repensar nosso Centro Acadêmico e nossas relações e pautas enquanto estudantes

Obviamente como grupo de estudos este lugar é voltado precisamente para o debate de ideias, o diálogo sobre a nossa conjuntura, não há nenhuma pretensão de cooptar ninguém para nenhuma corrente política ou ideológica, apesar de respeitarmos a carta de princípios do CEGE (https://cegeusp.milharal.org/acordos-do-cege/) e assim estamos abertos a todas as contribuições, desde de que não contradiga os princípios que nos guiam.

Para o nosso primeiro encontro vamos discutir a Cartilha do Congresso de 2013 que colocou a autogestão no nosso centro acadêmico.

Colocamos a cartilha para consulta e download neste link

Sobre a potência de permanecer….

Prof. Eduardo Donizeti Girotto

Nas últimas décadas, as lutas dos diferentes movimentos sociais têm produzido a ampliação do acesso ao ensino superior no Brasil. Entre as principais conquistas, destaca-se a aprovação de cotas sociais e raciais, possibilitando que, em 2017, atingíssemos a marca de 50% de alunos matriculados nas Universidades Federais provenientes de escolas públicas.

Demonstrando o seu caráter conservador, a USP, em 2017, foi a última universidade pública brasileira a adotar o sistema de cotas e só o fez após muita pressão dos movimentos sociais. Esta demora na adoção das cotas só amplia a dívida histórica que a sociedade paulista tem com as populações que têm sido, sistematicamente, violadas em seus direitos em São Paulo e no Brasil.

Apesar deste quadro, já existem cursos na USP em que predominam estudantes provenientes de escolas públicas. Este é o caso do Departamento de Geografia da USP, que, em 2017, poussía 65% das matrículas de alunos provenientes de escolas públicas, sendo que 35% se autodeclaravam Pretos, Pardos ou Indígenas (PPI). Tais dados demonstram que a USP se constitui enquanto um território em disputa, lugar também da construção de direitos e de enfrentamentos de tantos privilégios. O exemplo do Departamento de Geografia significa importante narrativa de esperança diante do discurso conservador que ainda insiste em se reproduzir nesta e em muitas outras universidades públicas e privadas do país.

Diante destes dados e da possibilidade cada vez mais real da ampliação do acesso de estudantes oriundos de escolas públicas e autodeclarados PPI em diferentes cursos da USP, é importante questionar: quais são os novos desafios que este contexto nos traz? Em nossa perspectiva, a luta precisa ser travada em, pelo menos, duas frentes: de um lado, é fundamental defender a ampliação de vagas em todos os cursos da USP, com o aumento dos investimentos necessários para a garantia do direito de todos e todas, sem exceção, à universidade pública de qualidade. Ao mesmo tempo, é preciso garantir, as condições de permanência para que todos e todas possam concluir o curso escolhido, vivendo, de forma plena, o processo de escolarização no ensino superior. Para tanto, é preciso avançar na disponibilização de recursos para moradia estudantil, alimentação, passe livre, bolsas de pesquisa, de ensino, de extensão, recursos fundamentais para que o sonho do ingresso na universidade pública não se torne o pesadelo proveniente das dificuldades e angústias diante da impossibilidade de escolher entre a reprodução cotidiana da vida e o direito à educação pública superior de qualidade.

O desafio da permanência é apenas mais uma etapa de pagamento da dívida histórica que temos em um país marcado, em sua geografia, por tanto violência. Somos o território fundado nos genocídios: indígena, negro, camponês, operário, feminino. Diante de tantos exemplos de morte, que marcam as geografias que trazemos à universidade, é preciso construir opções de vida. Por isso, lutar pela permanência estudantil e pelo direito, de todos e todas, à universidade pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada é também construir, cotidianamente, espaços de acolhida, de diálogo, de cuidado. Denunciemos todas as formas de opressão (inclusive aquelas que cometemos). Preocupemo-nos mais uns com outros, com suas angustias, medos. Sem rótulos, sem frases de efeito, sem a violência do tempo rápido, da média ponderada, do puxa-saquismo. Cada de um de nós sabe a jornada que atravessamos, todos os dias, para nos encontrarmos na universidade. Talvez, ainda não tenhamos nos dados da potência contida neste encontro.

Por isso, ao lado da cobrança aos dirigentes da universidade para que cumpram o dever de garantir a permanência estudantil para todos e todas que dela necessitam, soma-se uma outra responsabilidade: tornar a universidade um território de partilha, de encontro, de diálogo, no qual cada um é responsável pelo cuidado com o outro. Em um mundo no qual a violência parece cada vez mais banal, a defensa da solidariedade, do diálogo e do cuidado é um dos fundamentos da revolução!

Antigo jornal do CEGE (arquivo virtual do CEGE)

Estamos inaugurando oficialmente o arquivo virtual do CEGE. O nosso grande calouro Linniker fez essa bouissima e digitalizou algumas edições dos antigos jornais do CEGE.

O nosso arquivo digital serve como uma biblioteca virtual, arquivo para consulta e memória viva do CEGE. Se você leitor quiser mandar um livro qualquer, um documento antigo do CEGE ou algo que valha a pena estar aqui para nossa memória só mandar para nosso email: revistacegecontato@gmail.com com o pdf do que você quer incluir no nosso acervo.

Obrigado Linniker!!

CineVão: O Apito Da Panela De Pressão

Nessa ultima quinta feira (27/04) foi feito um CineVão com o filme O Apito Da Panela De Pressão. Para quem não sabe o que é um CineVão é bem simples e auto evidente, se passa um filme no Vão/aquário e depois se discute os assuntos relativos a ele.

O filme Apito Da Panela De Pressão é um curta-metragem com cunho documental, que retrata o ressurgimento  das movimentações estudantis durante a ditadura miliar com o protesto de 1977 no viaduto do chá. Feito pelos DCE (diretório central dos estudantes) da USP e PUC ele é de grande importância para lembrarmos a importância da atuação estudantil nos protestos nacionais. Historicamente ele foi exibido em vários campis da USP durante a ditadura para levantar a discussão política entre os estudantes.

Carta aberta à Pró-Reitoria de Graduação

 

Por: Estudantes de Geografia da FFLCH.

Os alunos e alunas do curso de Geografia da USP, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas vem através desta carta exigir em caráter de urgência os devidos esclarecimentos sobre a não aprovação da verba adequada para a realização dos trabalhos de campo das disciplinas do curso para os dois semestres de 2017. Além disso, nos preocupa não apenas a forma arbitrária que uma decisão desse teor e de efeito tão amplo é tomada por um órgão tão restrito, como também o pouco comprometimento da pró-reitoria com os prazos de aprovação mínimos para a organização e efetivação dos campos no calendário letivo, comprometendo a realização destes com a proposta pedagógica das disciplinas. Dessa forma, gostaríamos de expressar a insatisfação geral por conta do ocorrido, além de considerarmos que nenhuma justificativa é válida perante esse ataque ao nosso curso e aos outros que também foram alvo de cortes.
Desde muito tempo é nítida a importância dos trabalhos de campo como ferramenta fundamental para a formação das geógrafas e dos geógrafos, em consonância e como complemento às teorias vistas em sala de aula. Segundo Hissa e Oliveira (2004, p. 38): “Os trabalhos de campo, desde que acompanhados de referências teóricas, podem constituir-se de indispensável instrumento da ampliação das perspectivas conceituais dos estudantes”. A partir disso, pode-se perceber ainda o quão relevante é, não só para a formação de profissionais qualificados, mas também, no que tange ao retorno dado a sociedade, enquanto futuras e futuros profissionais, pois diversas e diversos estudantes atuarão na educação, desde o nível básico até o nível superior, em múltiplos contextos e realidades. Continue lendo