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Texto de apresentação do PPP

POR RD’S DA GEOGRAFIA 

O projeto acadêmico da Geografia: o que muda para os estudantes do curso?

Download do projeto acadêmico anterior a reunião de pleno de professores: ProjetoAcademico_Versao_Final

O Projeto Político Pedagógico (PPP) é um documento exigido pela reitoria da USP a todos os cursos de graduação, tem como principal objetivo apresentar as diretrizes para a tomada de ações a serem aplicadas nos próximos quatro anos nos cursos. O documento deve conter uma apresentação do departamento, uma reflexão a respeito das atividades até então desenvolvidas e sobre os indivíduos que compõem a graduação e por fim, a disposição a mudanças, tendo em vista necessidades constatadas.

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Sobre a potência de permanecer….

Prof. Eduardo Donizeti Girotto

Nas últimas décadas, as lutas dos diferentes movimentos sociais têm produzido a ampliação do acesso ao ensino superior no Brasil. Entre as principais conquistas, destaca-se a aprovação de cotas sociais e raciais, possibilitando que, em 2017, atingíssemos a marca de 50% de alunos matriculados nas Universidades Federais provenientes de escolas públicas.

Demonstrando o seu caráter conservador, a USP, em 2017, foi a última universidade pública brasileira a adotar o sistema de cotas e só o fez após muita pressão dos movimentos sociais. Esta demora na adoção das cotas só amplia a dívida histórica que a sociedade paulista tem com as populações que têm sido, sistematicamente, violadas em seus direitos em São Paulo e no Brasil.

Apesar deste quadro, já existem cursos na USP em que predominam estudantes provenientes de escolas públicas. Este é o caso do Departamento de Geografia da USP, que, em 2017, poussía 65% das matrículas de alunos provenientes de escolas públicas, sendo que 35% se autodeclaravam Pretos, Pardos ou Indígenas (PPI). Tais dados demonstram que a USP se constitui enquanto um território em disputa, lugar também da construção de direitos e de enfrentamentos de tantos privilégios. O exemplo do Departamento de Geografia significa importante narrativa de esperança diante do discurso conservador que ainda insiste em se reproduzir nesta e em muitas outras universidades públicas e privadas do país.

Diante destes dados e da possibilidade cada vez mais real da ampliação do acesso de estudantes oriundos de escolas públicas e autodeclarados PPI em diferentes cursos da USP, é importante questionar: quais são os novos desafios que este contexto nos traz? Em nossa perspectiva, a luta precisa ser travada em, pelo menos, duas frentes: de um lado, é fundamental defender a ampliação de vagas em todos os cursos da USP, com o aumento dos investimentos necessários para a garantia do direito de todos e todas, sem exceção, à universidade pública de qualidade. Ao mesmo tempo, é preciso garantir, as condições de permanência para que todos e todas possam concluir o curso escolhido, vivendo, de forma plena, o processo de escolarização no ensino superior. Para tanto, é preciso avançar na disponibilização de recursos para moradia estudantil, alimentação, passe livre, bolsas de pesquisa, de ensino, de extensão, recursos fundamentais para que o sonho do ingresso na universidade pública não se torne o pesadelo proveniente das dificuldades e angústias diante da impossibilidade de escolher entre a reprodução cotidiana da vida e o direito à educação pública superior de qualidade.

O desafio da permanência é apenas mais uma etapa de pagamento da dívida histórica que temos em um país marcado, em sua geografia, por tanto violência. Somos o território fundado nos genocídios: indígena, negro, camponês, operário, feminino. Diante de tantos exemplos de morte, que marcam as geografias que trazemos à universidade, é preciso construir opções de vida. Por isso, lutar pela permanência estudantil e pelo direito, de todos e todas, à universidade pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada é também construir, cotidianamente, espaços de acolhida, de diálogo, de cuidado. Denunciemos todas as formas de opressão (inclusive aquelas que cometemos). Preocupemo-nos mais uns com outros, com suas angustias, medos. Sem rótulos, sem frases de efeito, sem a violência do tempo rápido, da média ponderada, do puxa-saquismo. Cada de um de nós sabe a jornada que atravessamos, todos os dias, para nos encontrarmos na universidade. Talvez, ainda não tenhamos nos dados da potência contida neste encontro.

Por isso, ao lado da cobrança aos dirigentes da universidade para que cumpram o dever de garantir a permanência estudantil para todos e todas que dela necessitam, soma-se uma outra responsabilidade: tornar a universidade um território de partilha, de encontro, de diálogo, no qual cada um é responsável pelo cuidado com o outro. Em um mundo no qual a violência parece cada vez mais banal, a defensa da solidariedade, do diálogo e do cuidado é um dos fundamentos da revolução!

Comentário do Plano de metas acadêmicas 1991 (ago) – 2004(jul)

Por Linniker Gardim

O plano de metas acadêmicas de 1991-2004 nos diz que o departamento de geografia compreendia que a universidade é o espaço privilegio da produção do conhecimento e que este conhecimento se constrói no cotidiano do departamento. Sendo assim é pensando um plano de metas, que seja uma gestão democrática do DG e que não interfira na pluralidade dos modos de Fazer, Pensar e Ensinar a Geografia. Ficando assim estabelecidos 3 pilares em volta da Geografia, o Fazer, o Pensa e o Ensinar.

É salientando no documento o papel da USP e do departamento como uma instituição que faz a prática social do conhecimento e que esta instituição é inseparável de duas coisas: da democracia em si e da democratização do saber.

É colocado como fórum deliberativo máximo do departamento a plenária, sendo esta um dos pontos da democracia do DG e um espaço de construção de uma politica do departamento. Outro ponto colocado é construir um debate para estabelecer uma politica de pesquisa e de INTEGRAÇÃO com os laboratórios do departamento.

Sobre a graduação o Plano deixa bem claro que o papel do DG com a graduação é de formação crítica do aluno e da condição necessária para o desenvolvimento de uma capacidade investigativa e até “mesmo” docente.

Sobre o currículo é lembrando das fortes influências da escola francesa em primeiro ponto e depois de outras escolas, como a americana, alemã, inglesas, italiana e também relembrando a formação geográfica Uspiana e uma geografia brasileira.

São estabelecidos 4 pilares do conhecimento da área geográfica, a geografia humana, a geografia física, a geografia regional e a cartografia, deixando claro suas diferenças, seus choques e as lacunas que não são cobertas. Deste embate entre estes 4 pilares que virá a nascer uma geografia crítica.

O perfil desejado do formando neste documento é estabelecido pelo departamento com o objetivo de promover a formação humanisticamente / critica do aluno, a sua criatividade e paixão pela descoberta e pelo conhecimento como um todo. Do outro ponto seria a de forma um profissional técnico e capacitado a atender os vários segmento do mercado, não formando apenas um tipo de geografo, mas múltiplos geógrafos. Este múltiplos geógrafos não delimitados por uma grade curricular rígida, que trace seus caminhos sem a opção individual do ser, mas sim pela suas opções pessoais ao longo do curso e da possibilidade de uma vasta gama de optativas livres, sendo estabelecido 4 semestre destinado quase exclusivamente a optativas livres, sendo este semestre os últimos (5-8) e 4 semestre com poucas grades para optativas, sendo pautando apenas pelas obrigatórias da base do currículo, sendo este semestre os iniciais (1-4)

Acho que fica a pergunta, este modelo de formação existe no departamento?

Reflexão sobre o PPP do departamento de geografia da USP.

Por: Guilherme Leria Sanches

O Projeto Político Pedagógico de 2010 dá as bases de funcionamento do curso de graduação de geografia, discutindo, por exemplo, qual o perfil de profissional que se espera formar, quais conteúdos serão fundamentais e a estrutura que o curso irá seguir.

A priori, o ponto mais fundamental a ser tirado é a visão de geografia do departamento. É esse posicionamento que definirá quais professores serão contratados, quais conteúdos serão passados para a graduação e como a pesquisa, o ensino e a extensão vão funcionar como um todo no departamento.

Como é de se esperar, a geografia crítica, fruto da renovação no pensamento geográfico ocorrida durante o final do século passado, é hegemônica dentro do departamento, induzindo que grande parte do departamento tenha uma visão similar sobre os eixos definidos como centrais para o curso – geografia humana, física, regional e cartografia – e que, de forma ainda mais conturbada, dificulte a atividade de professores e discussão de temáticas que não são caras dentro da geografia crítica.

Assim o documento acaba apresentando de certa maneira uma atualização e uma continuação história do que ele próprio define como escola francesa – ou uma origem a partir da escola francesa – incluindo os aspectos críticos da geografia atual e abrindo a outras escolas do pensamento geográfico que se fazem presente.

A questão que se mostra agora é queremos continuar com a geografia crítica enquanto força hegemônica dentro do nosso departamento?

Enquanto investigação sincera, nós alunos da graduação devemos continuar fazendo o levantamento dos documentos que formam o nosso currículo e começar a formar um debate aprofundado sobre o nosso curso, unindo todos os temas caros e avaliando qual será a geografia que iremos seguir a partir de 2019.

Questionário do GT de permanência

O GT de permanência está fazendo um levantamento sobre os alunos que participam/tentaram participar dos auxílios permanência da USP, para entender o quão grave foi o ultimo corte da SAS na permanência da universidade.

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeH6Mh5xtXE-25wXnTn-tBVf2SSS-D42yLe93pSrs7tUifK4Q/viewform

O link acima te direciona diretamente para o nosso formulário online. Pedimos que respondam apenas uma vez e sejam o mais verdadeiros possível. Caso você não saiba como ver sua nota da SAS é só seguir os passos abaixo:

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você verá sua nota nos locais indicados.