Marcha antifascista (13/05/2017)

 

Por: Linniker Gardim.

A marcha saiu da praça da sé, por volta das 16 horas com direção ao antigo DOPS, que agora é o memorial da resistência.

Em meio a palavras de ordem, pessoas encapuzadas, usando sinalizadores vermelhos, juventude, anarquista, skinhead, comunista, fotógrafos, jornalista, um sentimento planava do ar, o da revolta, da insatisfação e do medo.

Da revolta dos manifestantes, contra o estado paulista, contra o estado brasileiro e principalmente contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e ao sistema eleitoreiro burguês, não foram poucas as falas contra o PT e o seu governo de conciliação de classes, ressaltando medidas do partido contra a população pobre, as UPPs do governo Dilma, a lei antiterrorismo da mesma, todas as falas alertavam para o dever de fazer a revolução e o trabalho de base. “Organizar o povo para fazer revolução” era uma frase comumente dita, outras falam alertavam para o crescimento do fascismo não apenas na cidade, mas no campo também, que era necessário lutar contra o fascismo em ambas as esferas, da luta não ideológica, mas da luta armada.

Dois professores falaram: um alertava que era necessário lutarmos contra o estado fascista paulistano, mas que precisávamos ler, nos educar ideologicamente, fazer o trabalho intelectual, afirmando que “apesar de marxista, tinha lido os anarquistas” e que deveríamos fazer o mesmo. O outro, um professor indígena, se demonstrou emocionado com o espaço dado a ele pela marcha, fez uma crítica aos movimento de esquerda que esquecem do etnocídio feito pelo estado contra os povos originários, disse que na mesma semana 6 crianças guaranis morreram na cidade, por conta do descaso dos nossos governantes, alertou que é necessário os militantes se aproximarem das comunidades indígenas e também das periferias da sociedade e lá realizar o trabalho de base tão importante.

Outras pessoas colocaram críticas aos movimentos anarquista e comunista, sobre a questão do preconceito contra homossexuais, que era necessário a união, de todos para lutarmos contra o estado.

Após a marcha andar por volta de 30 minutos, em uma ação direita contra um banco, que a meu ver, não passou de uma infantilidade sem medir as consequências, o ato foi reprimido pela força tática, algumas bombas de efeito moral e outra de gás, dispersando assim a marcha, assustando a população e mais uma vez pintando os ativistas de “vândalos”. Não discordo da prática da ação direta, mas creio eu, que existe momento para ela, a marcha era um espaço para divulgarmos as ideias antifascistas para a população, demonstrarmos que estamos do mesmo lado e que não somos inimigos um dos outros, era o espaço para o trabalho de base tanto falado e foi minado por uma ação inconsequente, que apenas nos afasta do povo.

Enquanto tentava reencontra com o ato ou o que sobrou dele, vejo de longe uma briga ocorrendo. Quem estava comigo grita e um grupo corre para separar, era um senhor agredindo um rapaz e uma moça violentamente, quando chegamos perto ele recuou para a frente de seu bar/churrascaria, enquanto lá dentro as pessoas só olhavam. O jovem estava machucado, boca e nariz sangrando, a moça que estava comigo prestou os primeiros socorros e tentamos acalmá-lo, tudo indica que os jovens estavam passando em frente ao bar/churrascaria, com a camisa no nariz por conta do cheiro de gás e o senhor começo agredi-los verbalmente e depois fisicamente com socos e chutes, o casal não fazia parte da marcha, estava indo para o cinema e foram atacados por um fascista enquanto a população ao redor não fazia nada ou se omitia. A situação é delicada, uma hora temos as força do estado contra nós e na outra a população, o berço do fascismo não é nosso estado, é nossa família,  lá ele cresce até sair da casca e partir para o próximo nível, aquele senhor podia ser meu tio, seu tio, tio da sua namorada(o).

É necessário lutarmos todos dias contra esse fungo, que se espalha, pela nossa terra, precisamos educar nossa família e quem está ao nosso lado o máximo possível sobre a situação atual, devemos dizer e demonstrar que estamos do mesmo lado, por um “país” mais justo e igual, se rachamos nossa família, sem antes tentar educá-la, conscientizá-la, será um erro. Para nós militantes de um ideal é preciso se aproximar das pessoas ao nosso lado, trazelas para nossa causa e não afastá-las, é difícil conversar com um reacionário, mas é preciso, se não companheiros, perderemos a batalha e não temos noção o quanto isso custará a nós, a nossos irmãos e irmãs e a nossos filhos.