RELATO 07/03

Autor: anonimo.

Relato de aluno que compôs o ato que tentou impedir a votação da proposta de “Parâmetros de Sustentabilidade da USP”, apelidada de “PEC do fim da USP”. O ato ocorreu no dia 07/03 em frente a reitoria, recentemente cercada por grades.

O segundo dia letivo do semestre começou com uma aula de autoritarismo e repressão, “digna” de fazer funcionários e professores comparar as ações da burocracia e da PM aos anos da ditadura militar.

A repressão ao movimento dos trabalhadores da usp, infelizmente, não é novidade. Tiro, porrada e bomba já estavam presentes, do portão pra fora, nos trancaços. Dessa vez, com o fortalecimento da presença e ação da PM dentro do campus pela gestão Zago, a repressão ocorre em plena luz da dita maior universidade do país. Não podemos esquecer da repressão ao movimento negro da usp, que já era alvo da PM a muito tempo, a exemplo: prisões no NCN, reintegração pelo choque na ocupação do auditório da SanFran.

 

As primeiras conversas e discursos no “boca de ferro”, vulgo microfone, eram referente a ameaça ao motorista do carro de som do Sindicato: a PM ameaçou prender o motorista por homicídio doloso, a versão era de que teria atropelado uma pessoa no momento em que entrou com o carro na usp, disseram para ele ir embora, e para não parar o carro para ligar para o sindicato, se o fizesse, seria preso. Concomitante, a usp está buscando mudar a legislação de circulação, para impedir a entrada de carros de som no campus. Mais uma forma de perseguição ao movimento, que vem resistindo ao despejo da sede do Sintusp no campus.

A chegada dos conselheiros às 14h foi acompanhada pelo fortalecimento do contingente da PM e pela chegada da tropa de choque. De fato o ato estava grande, porém a importância de passar a proposta pela reitoria deixou o ato pequeno, claramente sem força para fazer frente a PM, que estava com força desproporcionalmente maior. Os portões foram abertos à bala, cassetete e bomba e parte dos conselheiros foram escoltados para dentro, um a um.

As cenas de perseguições e agressões se seguiram pelo resto da tarde, pessoas socorridas pelos trabalhadores para serem atendidas no HU foram abordadas e presas, assim como os que as acompanhavam.

A “sustentabilidade” da usp, baseia-se na demissão, por meio de PDV e outros “acordos” de 4 a 5mil trabalhadores, no congelamento de salários, na força policial e na autoridade da cúpula da reitoria, vinculada, não podemos esquecer, a politica Alckimista do governo do estado. HU, creches, restaurantes e departamentos, estão em processo de precarização, 3600 postos de trabalho já foram cortados, sobrecarregando os funcionários e piorando as condições de trabalho.  Com a aprovação da proposta, uma posterior reestruturação dos postos de trabalho será dada a iniciativa privada e a contratos flexíveis e precários.

A “PEC do fim da usp” passou, a dor do estilhaço tá fresca, meu pesar para as vítimas e para situação da universidade. Porém, o apoio de companheiros e companheiras de curso, de trabalhadores e trabalhadoras, professores e professoras, reflete um saldo de ânimo para o movimento. Mesmo depois da dispersão, ficamos um bom tempo em frente ao bloqueio da PM, trocando ideia e vendo que não estamos sozinhos nessa. Uma conquista efetiva está longe de ser fácil, mas elas são reais, afinal, quem está reagindo é a elite burocrática frente a certos avanços que a esquerda conquistou. Não acredito que tenhamos força para barrar os ataques da reitoria, mas resistir e buscar construir um movimento conjunto é necessário. Unidade, não sei se essa é a palavra, antes precisamos pensar em confiança e confiança política, questão que a grande política nacional fez o favor de jogar toda no ralo. A Universidade é fortemente dependente das agitações políticas externas, porém, os setores trabalhistas e estudantis estarão constantemente em terreno para assegurar espaços de resistência e de futuros avanços na universidade, que virá apenas junto com conquistas da sociedade no mínimo realizadas em âmbito municipal, sendo otimista por lembrarem de nós nessa cidade. Há quem aposte em 2018..