Por Guilherme Leria Sanches.

Como primeiro texto da reestruturação do blog milharal – um pequeno.. manifesto. Em 2016, aconteceu uma greve unificada dos funcionários, professores e alunos em boa parte da USP. Uma grande quantidade de institutos paralisam suas aulas, alguns prédios foram ocupados, além dos trancaços¹ e ações que foram realizadas dentro e fora da universidade. Mas, no plano prático das ações houve três momentos que saíram da “desordem” comum das greves: o cunho político do “golpe”²; a tentativa de ocupação dos blocos K e L³ e o limpaço na FFLCH4.

Talvez seja complicado entender agora, algum tempo depois do ocorrido, a importância desses momentos para fundarmos as novas mídias do CEGE e começarmos a discussão de como nos mobilizamos enquanto estudantes. Mas me sinto à vontade para afirmar que foi patético o reconhecimento e movimentação do movimento estudantil em todas as situações “extraordinárias” da última greve. Explicaremos agora cada uma delas.

  1. A começar nas conversas sobre o “golpe” ou retirada do PT do poder. Como foi possível achar que a melhor forma de se discutir a narrativa do golpe era a partir de longas falas em uma assembleia que iria guiar os próximos passos das mobilizações de greve? Como concebemos tal baixo nível do debate? A desorganização com relação ao caminho da greve muito se deve ao papel problemático do DCE nos últimos anos (por vezes nem tanto culpa da entidade), mas também se deve a absoluta falta de debate sobre esse assunto nos momentos oportunos. Na hora de se decidir o contingente de pessoas para um trancaço não é importante discutir as idas e vindas do PT, mas sim quem vai ou não vai ajudar.
  2. Passando para a tentativa de ocupação do K e L, que felizmente resultou na vivência do bandejão central, o que faltou foi a simples capacidade de radicalizar a luta. Radicalizar não significa pensar como iremos chamar mais pessoas, não significa pensar em formas novas de reivindicar nossas pautas. Significa simplesmente ir e efetivamente chamar a atenção por uma ação direta, quebrar o estático e adicionar energia a luta, chamando atenção da sociedade para o absurdo que é a precarização das universidades públicas. A incrível falta de acúmulo histórico do movimento possivelmente é uma das culpadas pelo fracasso – voltaremos nesse acumulo logo menos.
  3. Por fim, o famoso limpaço. As condições de resistir a tal ação foram, assim como na greve, desorganizadas e pouquíssimas efetivas – com exceção de expulsar os malucos do nosso espaço da forma mais agressiva possível. O fato de não ouvirmos mais falar do vira livre tanto significa um alívio com relação ao nosso espaço, já que eles não vão voltar a encher o saco, mas também não podemos esquecer a vitória do Dória no primeiro turno e que isso claramente significa uma vitória desse tipo de prática absurda – mais do que nunca com o cidade limpa.

O que trazemos agora como síntese e solução para a atual situação é levantar a bandeira e lutar pela nossa mídia e o direito de expressar livremente nossas ideias, construir debates fortes, construir um acúmulo histórico, práticas radicais e coletivas. Assim, voltando ao nosso manifesto das mídias coletivas da geografia, criamos a partir de hoje um conjunto de mídias para o Centro de Estudos Geográficos Capistrano de Abreu que tem como prática ser subversivo e abrir as portas para todo e qualquer um que queira escrever. Aqui não há leitor e escritor em um nível hierárquico, eu que te escrevo posso me tornar o leitor e você o escritor já na próxima edição.

Para o sucesso deste projeto é preciso antes de tudo uma mudança no debate e na práxis política dos estudantes. É importante conversarmos, criarmos unidade e levantarmos todos os questionamentos para finalmente não perdermos tempo discutindo se a lava jato vale a pena para que possamos agir ou até para que na próxima oportunidade nós possamos chutar a bunda tanto no plano acadêmico como físico de gente como o pessoal do vira-livre. É preciso criar o costume de sempre nos lembrarmos do passado para não errarmos novamente.

Para finalizar esse pequeno manifesto vamos propor um desafio: gostaríamos que você, queridíssimo leitor, escreva um texto (pode também escrever com mais alguém) e nos enviepara postarmos no blog e, conforme for, publicarmos juntos com as nossas próximas edições. Obrigado pela sua atenção e espero que nós nos encontremos de novo aqui.

 

1- Manifestação que tranca os portões da USP
2- Coloco entre parênteses justamente para lembrar essa discussão em aberto
3- tentativa de ocupar os blocos K e L do CRUSP para fazer moradia estudantil (https://www.facebook.com/jornalistaslivres/videos/375274862596397/) e (http://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2016/06/dentro-da-usp-pm-reprime-estudantes-que-iriam-realizar-ocupacao-3824.html)
4- um grupo de liberais ligados a o viralivre (mais um MBL da vida) tentou marcar para apagar os pixos do prédio da geografia. Tomaram vareio dos alunos e da pp USP.
5- revistacegecontato@gmail.com

7 pensou em “UM MANIFESTO DAS MÍDIAS?

  1. Só mais um uspiano idiota massa de manobra

    Nenhum argumento e ainda com um ataque tosco e injustificado as organizaçoes. Se a intençao era que alguma delas faça autocritica, falhou. Se a intençao é afastar os estudantes das organizaçoes, falha tambem, porque nao demonstra como a suposta “alternativa” da autogestao supera tais criticas. Nao se coloquem apartados do movimento estudantil! Voces sao corresponsaveis por sua ruína! Absurdo!

    1. guileria Autor do post

      Eai mano suave?
      Seguinte, eu acabei de fazer uma pequena revisão, então é uma boa vc dar uma relida no texto.
      Mas de qualquer forma e ideia da imagem era provocar as pessoas a lerem o texto e efetivamente fazer as pessoas saírem do estático. Eu não escrevi o texto para defender a autogestão, não escrevi para criticar o DCE ou o TL ou foda-se. Eu escrevi para falar que a situação não vai melhorar enquanto nós não debatermos nossas ideias.
      Fica o convite/desafio do final do texto: não gosto do que eu escrevi? escreva um texto seu para defender as instituições como forma de organização do movimento estudantil por exemplo.
      abraços Guilherme Leria

  2. Curiosa

    Não entendi a parte do K e L. Eu achei bem enérgica a forma q tentamos ocupar os blocos! não tivemos sucesso pela quantidade escrota de PM e a violencia q estavamos sofrendo. Curiosa pelo acumulo q vc cita.

    1. guileria Autor do post

      De certo que ela foi uma resposta mto energética. Mas se não me engano ela não foi nem aprovada em assembleia e mto menos resultado de uma discussão em conjunto promovida pelo DCE (que se mostrou contra a ideia de ocupar).
      O acúmulo é justamente o resultado das mídias, poder publicar, documentar e estimular o debate sobre as greves e coisas que acontecem na USP

  3. Anders

    Sobre isso de discutir “idas e vindas do PT” numa reunião de organização de ato, eu não me surpreendo nada. Em 2013, por conta dos atos de junho, participei de reuniões de sindicatos do PT/CUT, e nunca aconteceu nada demais. Discute-se, discute-se, discute-se, e nada é feito. Na época a Dilma (PT) estava na presidência, e por isso os sindicalistas não queriam participar de nenhum protesto, alegando que não era hora de se manifestar, pois faria o povo pensar que estavam atacando a presidente.

    Suponho que atualmente, só protestam se a pauta principal do ato for Dilma ou Lula. Se alguém fizer um ato por aumento salarial, contra demissões, contra repressão, etc e não incluir Dilma e Lula, eles não devem participar, pois não atende ao objetivo principal deles, de serem puxas-saco, cabos eleitorais, e assim conseguirem uma promoção dentro do partido.

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