FORA_TEMER™

Por: Guilherme Leria Sanches

        Vivemos no neo-macartismo tupiniquim. As polarizações no âmbito da política nacional fizeram com que não houvesse a possibilidade de elevar o nível do debate e propriamente pensar um plano para o “pós-lulismo”. Vivemos na época em que discutir o golpe virou atacar a oposição “antipetista” – de direita e esquerda, em que Haddad faz acordo com PSDB para aumentar a tarifa, esquerda que não consegue ver uma justificativa nos black blocks e na revolta popular de 2013 virando micareta da direita, aquelas brisas de que atacar o Temer tem que passar pelo voto no Lulálá ou sei lá quem em 2018 – quase um verbete do nosso anarcopetismo “acadêmico”. Continue lendo

O paradigma do posicionamento

Por: Joaquim Bührer

A ascensão notável de políticos nacionalistas é, sem dúvida, uma das facetas da ressacas pós crise que consistem basicamente num ciclo de crises do capital a nível internacional. Pensando em fatos: a questão do subprime em 2008 dá seus primeiros sinais no primeiro governo Clinton com o fomento à propriedade – dado que o mercado imobiliário seria o mais seguro para os investimentos – onde o número de hipotecas aumentou drasticamente. Em 1999 o número de hipotecas não pagas levou muitas pessoas a perderem suas casas – o que gerou uma onda de refinanciamentos, marco definitivo da capitalização do mercado financeiro e aumento do preço das propriedades. Daí para diante a bola de neve só cresceu e estourou exatamente no final do governo Bush – que mantinha as guerras no Iraque e Afeganistão já em alto nível de capitalização¹ – Continue lendo

RELATO 07/03

Autor: anonimo.

Relato de aluno que compôs o ato que tentou impedir a votação da proposta de “Parâmetros de Sustentabilidade da USP”, apelidada de “PEC do fim da USP”. O ato ocorreu no dia 07/03 em frente a reitoria, recentemente cercada por grades.

O segundo dia letivo do semestre começou com uma aula de autoritarismo e repressão, “digna” de fazer funcionários e professores comparar as ações da burocracia e da PM aos anos da ditadura militar. Continue lendo

Lições de física clássica

Por: Joaquim Bührer

Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi*.

No contexto da física moderna, Isaac Newton descreveu o princípio da ação e reação – A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos*. Trata-se da sua terceira lei, que aparece num momento de boom das ciências naturais, dotadas de método científico, onde contemporâneos de Descartes voltavam seus olhos para o entendimento da natureza, por pensar, justamente, que estavam além desta. Continue lendo

RESPOSTA AO EDITORIAL DA FOLHA DE S. PAULO – DCE

Por: DCE lvre da USP

A Folha de S.Paulo se rendeu, nós não

Foi-se o tempo em que o jornalismo brasileiro era marcado pela contradição corajosa no posicionamento e pela dedicação honesta ao debate de ideias. Não é de hoje que a Folha cumpre um desserviço ideologizado à sociedade, sobretudo quando o assunto é a educação. Afinal, desde quando tornou-se um erro investir no ensino público?

Uma das falhas mais graves e evidentes dentre os mais de 20 anos de governo tucano em SP é o descaso programado com a educação pública. Nossa geração cresceu ouvindo dos pais que na época deles a escola pública era quase nivelada pela excelência. A tristeza é ver hoje estas instituições sucateadas, com professores contratados sob regimes precários e salas superlotadas. De geração para geração, este é um fato escancarado. Não por menos, foi massivo o apoio às mais de 700 escolas ocupadas por estudantes secundaristas no estado contra a Reorganização Escolar de Alckmin. Continue lendo

Como o Major Olímpio e o Haddad me lembraram Zizek

Por: Joaquim Bührer

Já existe um certo consenso sobre o golpe no campo da esquerda – alguns de maneira mais ou menos incisiva, outros mais ou menos enfáticos – ainda que setores variados não ajudem na construção da narrativa e outros a ignorem completamente. É preciso considerar esse fato – uma vez que aqui não se discutirá nem o mérito do golpe em si ou quais setores foram os responsáveis; e nem é objetivo deste texto cair no marasmo argumentativo de que todo gestor do estado burguês, é, em si, um gestor do estado burguês. Não se pretende afirmar o óbvio aqui, já que Engels e Kautsky* apontavam, no longínquo ano de 1887, a farsa, ou a alegoria do trabalhador como político e gestor sonhar realmente transformar totalmente as estruturas da sociedade capitalista de cima para baixo – ou de dentro do sistema para fora – sem que a mudança/revolução saia das bases. Não é possível simplesmente decretar, ou normatizar, transformações profundas na sociedade com base na estrutura de poder criada, justamente, para impedir tais transformações. Está claro? Continue lendo